
O Governo de São Paulo anunciou, nesta sexta-feira (19), o aperfeiçoamento da metodologia de monitoramento da segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). A atualização era prevista na deliberação do ano passado e considera as contribuições da consulta pública, as atualizações nas projeções hidrológicas e a experiência acumulada do primeiro ano de aplicação. A nova metodologia será publicada em deliberação da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) na próxima segunda-feira (22), e é resultado de um trabalho integrado com a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas) no âmbito do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica.
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“Estamos apresentando aqui hoje uma evolução importante a partir de todo um trabalho de gestão hídrica planejado, transparente e estruturado, que está inserido na estratégia climática do Estado estabelecida desde 2023. Agora teremos uma base de dados ainda mais robusta, com um olhar especial sobre o Cantareira por causa do comportamento particular que temos observado nesse sistema, e esses aprimoramentos vêm para ampliar ainda mais a nossa capacidade de prevenção e resposta rápida às mudanças climáticas, conferindo mais resiliência hídrica aos paulistas”, enfatizou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
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Ela destacou a relevância da metodologia de gestão hídrica no estado de São Paulo, que foi fundamental para garantir a preservação do Sistema Integrado Metropolitano em 2025, ano com baixo volume de chuvas. “Nossas reuniões são semanais e ao longo de todo esse período temos analisado a situação hídrica continuamente, atuando sempre com base em prevenção e contingência”, disse ela. A GDN, uma das medidas adotadas para a preservação dos reservatórios desde 28 de agosto de 2025, economizou mais de 158 bilhões de litros, volume equivalente ao consumo mensal de aproximadamente 27,65 milhões de pessoas, mais que a população da Região Metropolitana.
De acordo com a diretora-presidente da SP Águas, Camila Viana, o Sistema Cantareira tem um comportamento diferente do restante do Sistema Integrado, com um período chuvoso que começa depois do restante do SIM e vai até o final de maio. Além disso, em 2025/2026, o Cantareira apresentou um volume de chuvas muito abaixo da média (62% da média hidrológica em 2025/2026, ante 90% em 2024/2025), o que justifica a necessidade de um acompanhamento mais individualizado. “A inclusão de uma curva específica de contingência do Cantareira nos dá mais segurança de que estamos enxergando o cenário completo, ampliando nossa capacidade de antecipar tendências importantes no comportamento hidrológico”, disse.
O diretor-presidente da Arsesp, Diego Domingues, explicou que as faixas de atuação que orientam a evolução das medidas de contingência seguem as mesmas. Elas vão de 1 a 7 e estabelecem o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA), a gestão de demanda noturna de 8, 10, 12, 14 e 16 horas, e o rodízio entre regiões, respectivamente. Em todas as faixas também há medidas previstas de comunicação e suporte à população.
“O que muda é que, em vez de adotarmos o prazo de 7 dias para avançarmos de faixa, e 14 dias para voltarmos à faixa anterior, passaremos a avaliar mensalmente o cenário no Comitê de Integração das Agências”, explicou Diego. A nova periodicidade segue a adotada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela SP Águas para o Sistema Cantareira.
Ao todo, foram 192 manifestações apresentadas por concessionárias, órgãos públicos, entidades da sociedade civil e cidadãos interessados. Dessas, 89 resultaram em aperfeiçoamentos no texto final da metodologia, reforçando o caráter participativo e transparente do processo regulatório.
Além do trabalho de gestão hídrica desenvolvido no âmbito do Comitê Integrado e do Conselho Estadual de Mudanças Climáticas, sob gestão da Semil, o Governo de São Paulo apresentou durante a coletiva as obras de resiliência que vão trazer água nova para o Sistema e ampliar a segurança hídrica do Estado de São Paulo.
Entre as entregas já realizadas até o fim de 2025 pela Sabesp, estão a Transferência Itapanhaú, com acréscimo de 2 mil litros por segundo de água bruta e investimento de R$ 161 milhões, e a Transferência Guaratuba, com aumento de 200 litros por segundo e aporte de R$ 10 milhões. Também estão sendo investidos R$ 525 milhões na implantação de 31 reservatórios em 24 centros de reservação da Região Metropolitana de São Paulo, aumentando em 202.500 metros cúbicos essa capacidade. Essas obras se somam a outras iniciativas já em operação que contribuem para ampliar a oferta hídrica, como as interligações entre sistemas produtores da Região Metropolitana de São Paulo, as ampliações realizadas nos sistemas Cantareira e Alto Tietê, além do Aquapolo, referência em reúso de água para fins industriais.
Até dezembro de 2026, estão previstos o tratamento por membrana na ETA Rio Grande, com ganho de 500 litros por segundo e investimento de R$ 95 milhões, e o retrofit da ETA Baixo Cotia, com ampliação de mil litros por segundo e aporte de R$ 357 milhões. Para 2027 está programada a conclusão da Transposição Billings-Taiaçupeba, que adicionará 4 mil litros por segundo de água bruta, com investimento de R$ 1,4 bilhão.
No programa de resiliência hídrica do Governo de São Paulo para todas as regiões, que soma mais de R$ 25 bilhões em investimentos, estão obras emblemáticas em andamento como as barragens Pedreira e Duas Pontes e o Sistema Adutor Regional (SAR) dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí e o desassoreamento e revitalização de 479 cursos d´água por meio do Programa Rios Vivos.
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